RESENHA
LIVRO: Charme da exclusão social
AUTOR : Pedro Demo
LEITORA : Myrian Napp
O sistema está prestes a ruir!
Viver em um país, cujo regime democrático de governo adota a economia capitalista, significa ter de perceber as mazelas cruas e nuas desta “dobradinha”.
Talvez as marcas ruins da democracia capitalista sejam a injustiça social e a corrupção. Talvez, as boas, sejam a competitividade e a educação, esta última a que vai zelar pela cidadania.
Os princípios da ética passam longe disso, com certeza.
Não há um só doutor (teóricos) que não tenha ligado democracia à dor, ao sofrimento, e, por outro lado, à ganância, ao poder, ao manter-se no poder. Democracia não melhora a vida de todos, mas apenas de uma minoria. A minoria que se mantém no poder sacrificando a maioria através de inúmeros atos corruptos, o faz em nome de quê ?
A corrupção existe pelo fato de o sistema capitalista ser o gerador de valores que mede as pessoas pelo seu capital . E não se pode esperar mais nada delas.
Pedro Demo em seu “Charme da Exclusão Social” expõe à vista de quem quiser ver e obter respostas para os questionamentos como os que inquietam esta leitora. Em nome de quê existe a corrupção? Quais as marcas positivas de um regime democrático? A cidadania fica prejudicada pelo capitalismo?
Estas perguntas podem ser respondidas ao ler P.Demo.
Diz ele:
“ Parece evidente hoje esta problemática : do sistema produtivo capitalista não se pode esperar mais que crescimento econômico, acumulação de capital,competitividade, globalização, etc. É contraditório esperar dele algum gesto social, porque, no mínimo, atrapalha o compromisso com a competitividade. O discurso sobre “qualidade total” e coisas parecidas, no fundo, restaura aquele clássico dos recursos humanos, ou seja, valoriza-se a educação por conta da competitividade, e não da cidadania.”
P. Demo esfacela. Aquela declaração, aquele encontro de idéias, tornam-se novas propostas de pensamento. Quebram os paradigmas pertinentes à função social da escola. Mas isto é outra conversa ...
O que permanece de Demo no ar é o fato de citar que exclusão é charme numa visão funcionalista da realidade. Demo lembra como o próprio nome sugere ( ler p.105).
Este é o fator mais sério: o descompromisso por si só já e uma afronta à vida, e, vindo dos privilegiados, a situação agrava-se, pois quem haverá de salvar o homem senão o próprio homem?
Até pouco antes de ler este livro de P.Demo, eu acreditava que cidadania era algo ligado ao amor ao próximo, à civilidade. Qual nada! A cidadania que temos hoje é a cidadania do mundo capitalista, é só uma roupagem, um pretexto.
Os capitalistas estão todos vendidos. E, a visão de Demo, não exclui, portanto, atenção humanistas de plantão ou capitalistas selvagens: o sistema está prestes a ruir ...
Leiam Demo e vocês entenderão.
Campo Grande, 16.11.2004