sábado, 5 de março de 2011

Releitura

Em 2004 escrevi esta resenha. Concordo com tudo menos com o fato de o sistema ruir. Bem, não fui clara na época quanto a qual sistema ruiria (verbo estranho) mas acredito que o sistema que constitui o conjunto que forma a ética e a moral já ruiu diversas vezes e tenta, século após século, re-erguer-se sempre de alguma forma. Neste século é na forma de DH - Direitos Humanos.



RESENHA
LIVRO: Charme da exclusão social
AUTOR : Pedro Demo
LEITORA : Myrian Napp

O sistema está prestes a ruir!

          Viver em um país, cujo regime democrático de governo adota a economia capitalista, significa ter de perceber as mazelas cruas e nuas desta “dobradinha”.
          Talvez as marcas ruins da democracia capitalista sejam a injustiça social e a corrupção. Talvez, as boas, sejam a competitividade e a educação, esta última a que vai zelar pela cidadania.

          Os princípios da ética passam longe disso, com certeza.

          Não há um só doutor (teóricos) que não tenha ligado democracia à dor, ao sofrimento, e, por outro lado, à ganância, ao poder, ao manter-se no poder. Democracia não melhora a vida de todos, mas  apenas de uma minoria. A minoria que se mantém no poder sacrificando a maioria através de inúmeros atos corruptos, o faz  em nome de quê ?

           A corrupção existe pelo fato de o sistema capitalista ser o gerador de valores que mede as pessoas pelo seu capital . E não se pode esperar mais nada delas.

          Pedro Demo em seu “Charme da Exclusão Social” expõe à vista de quem quiser ver e obter respostas para os questionamentos como os que inquietam esta leitora. Em nome de quê existe a corrupção? Quais as marcas positivas de um regime democrático? A cidadania fica prejudicada pelo capitalismo?

          Estas perguntas podem ser respondidas ao ler P.Demo.
          Diz ele:

          “ Parece evidente hoje esta  problemática : do  sistema produtivo capitalista não se pode esperar mais que  crescimento econômico, acumulação de capital,competitividade, globalização, etc. É contraditório esperar dele algum gesto social, porque, no mínimo, atrapalha o compromisso com a competitividade. O discurso sobre “qualidade total” e coisas parecidas, no fundo, restaura aquele clássico  dos recursos humanos, ou seja, valoriza-se  a educação por conta da competitividade, e não da cidadania.”

          P. Demo esfacela. Aquela declaração, aquele encontro de idéias, tornam-se novas propostas de pensamento. Quebram os paradigmas pertinentes à função social da escola. Mas isto é outra conversa ...

          O que permanece de Demo no ar é o fato de citar que exclusão é charme numa visão funcionalista da realidade. Demo lembra como o próprio nome sugere ( ler p.105).

          Este é o fator mais sério: o descompromisso por si só já e uma afronta à vida, e, vindo dos privilegiados, a situação agrava-se, pois quem haverá de salvar o homem senão o próprio homem?

          Até pouco antes de ler este livro de P.Demo, eu acreditava que cidadania era algo ligado ao amor ao próximo, à civilidade. Qual nada! A cidadania que temos hoje é a cidadania do mundo capitalista, é só uma roupagem, um pretexto.

          Os capitalistas  estão todos vendidos. E, a visão de Demo, não exclui, portanto, atenção humanistas de plantão ou capitalistas selvagens: o sistema está prestes a ruir ...

Leiam Demo e vocês entenderão.


Campo Grande, 16.11.2004

terça-feira, 1 de março de 2011

funestas coincidências

O mais incrível neste planeta são as contradições: pessoas ficando cegas, surdas e mudas quando poderiam ver, ouvir e falar. Enquanto isso pessoas realmente cegas, surdas e mudas traçam um novo e delicado mundo para se viver. Sinais, linguagens, texturas e símbolos indicam os novos tempos e os novos direitos e deveres a serem re-examinados.
Coincidências, incidências.
Certa vez comentei com uma professora que os jovens e crianças que faziam o papel de flanelinhas nos sinais de trânsito pareciam querer limpar os “nossos” parabrisas. Propus então que re-examinássemos a mensagem que as crianças poderiam estar deixando nos sinais de trânsito.
Cegos? Quem ? Nós? As crianças?
Há nisto uma estranha sensação de o mundo estar fora dos eixos.
A selvageria do capitalismo dos lucros desenfreados faz isto? Creio que não, quem faz isto são as pessoas sem alma. Os replicantes? Nem estes fariam tanto estrago.
Querer lucros é saudável. Estrago faz quem não percebe o outro e fere, e mata, e destroi porque só enxerga o lucro, o pretenso lucro que surge a custo da cegueira, da surdez e da mudez. Mas como sempre digo o mundo gira e esta é a parte boa deste planeta: ele gira mesmo.
Gira e traz um mundo novo.
É deste mundo novo que quero falar aqui. Eu vejo um mundo novo e quero compartilhar aqui com vocês.
Mas agora vou atender umas umas visitas.
Fui.
Até já!
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