No próximo mês de Julho, ocorrerá o centenário da Evangelização Indígena no Brasil. Para conhecer mais sobre o assunto visite o site do CONPLEI- Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas. E como a causa dos indígenas é uma pauta muito interessante para este blog que divulga os direitos humanos e porque o espírito desta jornalista não sossega sem trabalho, divulgar esta causa me proporciona entrar em um novo mundo: Evangélicos e indígenas. Ou seja, prá lá de transcultural.
Espero que gostem e que digam sim à causa, podem comentar e apoiar, quem sabe não será vc um voluntário amanhã ?
Vocês sabiam que 182 etnias indígenas brasileiras recebem a atenção dos evangélicos? E que ainda há 121 etnias não evangelizadas? E mais: que há 111 grupos indígenas em complexo processo de urbanização? Sim, os povos indígenas existem e não são transparentes como parece para a grande mídia, e consequentemente, para a imensa maioria da população brasileira. Por estes números e por se tratar de assunto urgente no campo dos direitos humanos, o blog foi até uma igreja de evangelização indígena em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde o trabalho primoroso dos fiéis mostra o que também podemos fazer pelos povos que estão em situação de vulnerabilidade.
Para a entrevista de hoje fui conversar com a missionária Esmérita Poquiviqui, que há 6 anos atua em uma frente evangélica na Chapada dos Guimarães, no estado vizinho de Mato Grosso, mais precisamente no centro de treinamento AMI .
Blog: Como tudo começou, Esmérita?
Esmérita: A oportunidade de evangelizar no centro de treinamento da AMI surgiu para ficar um ano, e com a experiência do trabalho na igreja, iniciei a missão com fé, apenas a fé, pois ainda precisamos muito da ajuda de campanhas locais de arrecadação, de materiais, de voluntários, de missionários, de professores.
Blog: Qual a principal dificuldade no seu trabalho?
Esmérita: Um dos maiores desafios é ensinar o novo idioma, a língua portuguesa. Para alfabetizar é preciso material didático porém com o encontro de etnias, que nem conhecem o idioma uns dos outros, torna a evangelização um desafio ainda maior. Então, eu mesma faço o material para as aulas. E com as crianças é mais oral, e assim elas aprendem o passo-a-passo.
Blog: Além de aprender o idioma português o que mais os indígenas aprendem?
Esmérita: Eles aprendem a divulgar a bíblia na sua etnia e retornam para a sua aldeia, mas podem voltar para continuar a estudar, para transformarem-se em professores ou líderes, e também agentes de saúde. Também há os cursos de marcenaria, mecânico, aprendem a cozinhar e a fazer pães, a lavar roupas, a cuidarem de si.
Blog: De que forma o estado ou o município ajudam?
Esmérita: Não, não há esta ajuda mas foram convidados para o evento dos cem anos de evangelização. Temos a ajuda de igrejas como a Presbiteriana através da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais http://www.ipb.org.br/portal/apmt, por exemplo.
Blog: Quantos alunos o centro atende? E em que o novo idioma, a língua portuguesa, modifica a vida deles?
Esmérita: Há de 80 a 90 alunos de 20 etnias diferentes entre os cursos específicos, e a língua portuguesa acaba criando um vínculo entre eles. Com o apoio de tradutores, muitas vezes tornam-se líderes. Então quando voltam à aldeia o impacto é positivo.
Blog: Com a evangelização, os indígenas mudam sua cultura também?
Esmérita: O poder transformador da igreja e da bíblia, a princípio, muda a atitude, quando realmente decide ser uma nova pessoa. O evangelho não muda a cultura indígena, muda os pensamentos, as coisas erradas ... como por exemplo, há culturas que não aceitam o nascimento de uma criança com necessidades especiais, então tem que mudar. A bebida é outro inimigo que a evangelização ajuda a enfrentar. As crianças passam a entender sinais como o alarme que avisa sobre incêndios pois estão na mata, nas reservas, e precisam ser protegidos. Aqui eles aprendem os sinais e nas suas aldeias desenvolvem as ferramentas com seus recursos: aqui usamos o sino e lá eles usam suas flautas artesanais.
O blog agradece a entrevista concedida pela missionária Esmérita Poquiviqui que já se desloca para sua missão, e divulga a seguir algumas fotos dos missionários em ação e o trabalho dos líderes indígenas que merecem todo nosso respeito e apoio. Com estas imagens a gente acredita em um Brasil mais humano, mais digno e mais verdadeiro.


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